O trecho a seguir foi retirado de um do diários de Paulo Henrique Afonso, dezessete anos. Ele teve um surto psicótico depois de passar 49 horas ininterruptas usando a internet. Atualmente, passa temporada em uma clínica psiquiátrica.
Segunda, 14 de Julho de 2006.
Hoje aconteceu uma coisa na academia que me me deixou meio *. Não foi nada inusitado, já ocorreu antes, mas na hora fiquei com um pouco de vergonha. O instrutor estava me indicando que eu aumentasse o peso no exercicio de bíceps. Nada demais, só que enquanto ele falava eu não conseguia parar de rir. Não era uma gargalhada escandalosa, era um sorriso tímido, de bobo alegre. Então ele me disse, “Por que você tá rindo? olha o cara aí, ri à toa…”
O pior é que eu fiquei com aquilo na cabeça, tentando achar uma explicação. Foi ai que eu lembrei de uma outra coisa que me aconteceu quando eu tinha uns nove ou dez anos. Eu estva em casa, fazendo qualquer coisa que me fugiu da **, até que o Mateuzinho toca a campainha. Os tios dele tinham vindo de Minas pra visitar a família no feriado, então ele decidiu me chamar para andar com a prima dele pela rua, já que ninguém tinha nada melhor em mente. E a prima dele era bonita, um pouquinho mais velha, no máximo dois anos só. Fui com eles.
Só que não tinha papo. A rua estava deserta, parecia que todo mundo tinha resolvido viajar no feriado. Foi aí que eu me deparei com aquele desenho escroto que o Miller fez naquele muro. Eu sempre achei o desenho bem bobo, mas o pessoal da rua gostava porque eram todos uns merdas, e se o Miller fez, então é obrade arte. O fato é que eu queria me mostrar para a tal garota, era o tipo de garota muito bonita quando se tem nove anos. Foi ai que eu soltei, ” Tá vendo esse desenho aqui? É uma buceta!”
Buceta, boceta, vagina, xoxota, tanto faz. Ela ficou muito constrangida quando eu disse isso e pior, o Mateus ficou todo empolgadinho. Até que a garota disfarçou bem o constrangimento, mas a cagada estava feita. Bem, eu não tive mais oportunidades de falar com ela depois disso, porque a familia do Mateuzinho se mudou de Castelo pouco tempo depois. Menos mal.
Essa história toda foi só para dizer que eu nunca sei como reagir a nada. Eu não sabia o que fazer quando o instrutor Anderson disse aquilo, então ri. Podia ter dito, “odeio a academia, enfia o peso de 6 kg no cu!”, mas eu ri. Sei lá, é como em oldboy, “ria e rirão com você, chore e chorará sozinho”. E o Anderson riu mesmo comigo…
O negócio é que eu tenho fugido a minha vida inteira. Esse diário mesmo é uma fuga.
Eu me odeio.
* Palavra rasurada. Houve uma tentativa de escrever outra por cima, sem sucesso.
** Palavra quase impossível de se ler. Tudo indica que é algo relacionado à memória.



quem é paulo henrique afonso? surto por ficar na internet? que loucura, impossível. hahahahaha
vou favoritar seu blog no meu, tá?!
ah, obrigada!
vc acabou de ler o apanhador, né?!
ahh, e, acredite, todos nós já passamos por uma situacao dessas, pergunta a barata.
meio excêntrico? pô, então sei lá oq ue é uma pessoa completamente excêntrica. hahahahaha.
olha, não acredito nessa história da coca-cola, viu! só acredito que ela faz muito mal pros meus dentes… mas é aquela velha história: eu não acredito, mas também não me atrevo a tentar.
sou completamente analfabeta digitalmente, com certeza bem mais burra do que você. hahahahahaha.
ah, leu apanhador? legal legal, quero saber o que achou, depois!