Alguns danos colaterais de ter estado um ano no estrangeiro:
- Se te esquecem as palavras de teu idioma natal.
- Exemplo: faca e garfo. Ou seja, que todos pensas que sos meio tonto.
- Vês um DVD e necesitás ver 20 minutos de película para dar-te conta que os subtítulos estão em outro idioma (isto é verídico… e patético).
- Ainda por cima em versão para surdos.
- Teus amigos/família/inimigos te perguntam “como esteve o ano”?
- Como se se pudesse resumir um ano numa frase.
- Um sempre responde “bem, muito lindo”.
- E se queres falar mais (que a vida, que o amor), então se cansam ao instante.
- Porque, sejamos francos, eles perguntaram não por curiosidade, senão quase por obrigação.
- Vês a Torre Eiffel num película, num rincão à esquerda, tão longe que parece uma barata, e dizeis, suspirando “Ah… pensar que eu estive aí”
- Melhor não o digas, a ninguém lhe importa.
- E, em cima, ao final era uma barata para valer.
- Escutas na rádio a uma banda que sabes muito bem que nunca foi a teu país, e dizes “Ah… a verdade que ao vivo soam melhor”
- A ninguém lhe importa.
- É mais, pensam, “que imbecil”
- É mais, nunca veste a essa banda ao vivo.
- Nem sequer te agradam.
- Que imbecil.
Pancho.



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