Aquele dia, o ventilador de teto girava, bonito. Na segunda-feira anterior, ele simplesmente havia decidido pelo silêncio – para só voltar com seu ofício na segunda seguinte, cheio de marra. Por isso, a semana que antecedeu o fatídico dia foi de desagradável calor na salinha que abriga a seção de auto-ajuda da livraria. Naquele dia, porém, o objeto ventilante irradiava um friozinho capaz de acalentar os espíritos mais combalidos. Este era, sem dúvida alguma, um fator preponderante para a lotação daquela área que eu fora incumbido de tomar conta.
- Por favor, vocês têm aí o livro “x”?, dirigiu-se a mim uma senhora.
- Não sei dizer – retruquei.
- Não sabe… Você não trabalha aqui?
- Mais ou menos. Fui colocado aqui para dizer que não sei.
- Ahn?
- É. A antiga funcionária se demitiu de uma hora pra outra, teve que fazer um tratamento sério. Assim, o proprietário deste estabelecimento – meu tio – me colocou aqui para comunicar da confusão. Ou seja, minha função aqui é dizer, “minha senhora, ninguém pode te ajudar neste momento”.
Obviamente, a pobre mulher ficou sem entender a atitude anti-comercial do vendedor, mas o senhor do terno verde (não consigo lembrar o nome daquele funcionário) me salvou de novo:
- Ei, filho, deixa que eu atendo ela, vai comprar o açúcar que eu te pedi – ele era viciado em açúcar.
Nunca gostei de dizer educadamente às pessoas que elas estão perdidas. Aliás, fazia algum tempo já que eu não me interessava por livros, quanto mais os de auto-ajuda. A minha maior diversão naquela época era jogar “paciência” no computador. Iria comprar o açúcar do homem, me ajudaria a distrair um pouco e eu sairia daquele frio deprimente. Mas nem consegui chegar à porta da loja. Passando pela seção de esoterismo, fui abduzido por um livro do Paulo Coelho.
Lucas Schuina



Muito bom Schuína ^^ Acho que você ficou traumatizado com a bienal aehueeuaheu
Chuína, isso que você escreveu tá muito bom! Uma forma muito original de fazer crítica.
Agora estou com medo da felicidade…
Oops!… postei o coment no lugar errado. Era para ser sobre a postagem do Pancho, sobre os “Perones”… foi mal.