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MULHERES EM MARTE!

Leste é o roteiro original do aclamado clássico erótico de ciência ficção dos anos 60: “Mulheres em Marte” (o título original era “Mulheres na Lua” mas como já existia uma película com esse nome foi modificado. Igual, a história decorre na Lua). Também inclui os comentários do diretor (quem assim mesmo escreveu o roteiro, produziu a película e a editou), os quais estarão em cursiva e não, isto que está agora não é um comentário do diretor senão a introdução, os comentários do diretor vêm depois. Caralho, já sei que isto está em cursiva e que eu disse que… bom, está bem, está bem, perdão, agora isto o escrevo em em negrito, ok? OK?? Estes leitores são todos iguais. Crêem-se muito inteligentes com seus livrinhos de filosofia e seus óculos “new wave” mas no fundo são uma verdadeira… Isto não o estão filmando, verdade?

Shhh… Aí começa. Apague o celular…

 

Mulheres em Marte

 

(Ano 2009, a Lua. Encontramo-nos numa cidade muito parecida a New York, só que numa parede há colado um cartaz que diz “Welcome to the Moon”. Uma nave espacial extremamente futurística aterriza)

 

Comentário do Diretor: A nave espacial extremamente futurística terminou sendo uma maqueta barata à que se lhe viam os fios. Claro homenagem a Ed Wood (Pausa). Não, mentira, não tínhamos um centavo.

 

(O capitão John Johnson desce da nave)

 

JOHN: Mbohoh!! Mbohoh!!

 

Comentário do Diretor: Eu queria que a primeira linha fosse algo inesquecível. Algo bem como um estalido de inteligência, beleza e talento; tudo misturado num mar de estrelas fugazes que provocassem um orgasmo intelectual no espectador. Lástima que não me saiu. Lhes disse que sou alcoólico?

 

(Seu irmão gêmeo, o tenente Mark Johnson, desce da nave)

 

JOHN: E? Que opinas disto, irmano gêmeo?

MARK: (contempla o exótico do que o rodeia e reflexiona longamente) Wow…

 

Comentário do Diretor: o do irmano gêmeo ninguém o entendeu. Ou seja, o fato de que John Johnson fora loiro de olhos celestes e Mark Johnson um negro nigeriano não foi um erro de Casting. Era um símbolo de que as diferentes raças podemos ser irmãs, coisa que a mim não me parece. Passa que nessa época o país estava cheio de hippies sebosos e as mensagens pacifistas vendiam. Francamente, eu não creio que os negros sejam seres inferiores ainda que aceito a superioridade do Ariano. É inegável que o melhor momento da história humana foi o Terceiro Reich. Este país precisa mão de ferro e só o Führer poderia conseguir algo assim…Isto não o estão filmando, Verdade?

 

JOHN: Pergunto-me se alguém viverá neste lugar.

MARK: Isso espero. Depois de tudo, já não podemos regressar a casa.

JOHN: Sim, eu sabia que esses Sea-Monkeys não eram tão inocentes como pareciam (contempla o céu e alça os braços em gesto de estar a ponto de dizer algo interessante). Quem tivesse dito que se voltariam super-inteligentes, conquistariam o planeta e devorariam a toda a humanidade… Menos a nós.

 

(Uma formosa mulher semi nua os contempla escondida depois de uma pedra. Parece assombrada, como se fosse a primeira vez que vê a um homem. Subitamente, ela pisa um ramo)

 

MARK: (sobressaltado) ¡Creio que ouvi algo, capitão!

JOHN: Eu também. Tem cuidado, irmão (ambos sustentam suas pistolas laser)

 

Comentário do Diretor: Ah, as pistolas laser… Muito reais. Estavam feitas de madeira. TALHOU-AS minha mulher. Sim senhor… Parecem para valer, não? Bueno… Já sei que não, e que a crítica me destroçou por isso. Lhes disse que meu papai me batia?

 

Um pedaço importante do roteiro se queimou durante um terrível acidente que não será nomeado por respeito às vítimas. Pobres vacas.

Em fim, qualquer que tenha visto a película saberá que John Johnson descobre à garota semi nua (chamada Mary Maryson), têm uma conversa muito interessante sobre selos postais, Mary confessa que na Lua não existem os homens e que é virgem, ao que John replica “Ah, sim?” e Mary contesta, “Oh, sim”. Depois prossegue uma cena de desagradável sexo heterossexual em onde Mary mais do que uma virgem parece uma atriz porno profissional. John Johnson também não o faz mau. Devido à censura daquele então embaixo deles se encontra um cartaz negro com letras amarelas que diz:

 

“ISTO ESTÁ MAU. MUITO MAU. JOHN E MARY IRÃ AO INFERNO”

 

MAIS DESTE FAMOSO ROTEIRO EM PRÓXIMAS ENTREGAS! OU POR AÍ NÃO! TUDO DEPENDE DO RAITING. PLOP!

Pancho.

1968 motivos para ter (ou não) orgulho de Cachoeiro.

1- Itabira

2- Rio Itapemirim

3- Roberto Carlos

Para uma boa parte dos cachoeirenses, ausentes ou não, este é o início do TOP 10 Cachoeiro. Não querendo desmerecer as obras da Mãe Natureza e o Marketing musical, mas eu não concordo.

A segunda Bienal Rubem Braga começou. Não nesta quinta e sim há um bom tempo. Eu tive a sorte de poder acompanhar a preparação deste evento e descobri muita coisa legal na Capital da Crônica (ou para facilitar: a terra do Rei).

A banda Vitrola de 3 que me espantou pela genialidade em plena Praça da Poesia, uma juventude culturalmente ativa muito promissora, crônicas geniais de Rubem Braga, lugares divertidos, boa música e filmes fantástico são alguns desses frutos, que espantosamente emergiram de uma cidade que eu taxava apenas como: quente, sem graça e com uma movimentação cultural guardada nas prateleiras do porão da casa dos Braga.

Eu classificaria o evento como algo paradoxal, por conta das disparidades de sensações que venho sentido. É muito (muito) f… ver algo assim acontecer em Cachoeiro, melhor ainda, é esse banho de cultura proporcionar coisas incríveis como: uma conversa totalmente descontraída – quase uma conversa de bar com os amigos – com o jornalista e escritor Zuenir Ventura, um debate sobre cotas no banco da praça, ler um pouco de tudo, aprender sobre cinema, música e pessoas.

Mas “nem tudo é o que parece ser”, do outro lado da moeda, eu vejo que esses ganhos, que a bienal está proporcionando, serão assimilados por uma minoria ignorada em outros ambientes. Parece radical, mas não é. Eu que acompanhei a evolução do evento, vejo que a galera que está aproveitando mesmo é quem esteve nele desde o começo. E as pessoas que realmente deveriam estar sendo bombardeadas por coisas boas, continuam no seu mundinho “pagodoresco”.

Minhas esperanças não estão totalmente abaladas, por saber que haverá pessoas que lutaram para que esse trabalho continue e se expanda. Mas eu preciso entender o que falta para que o cachoeirense – olhando mais para o lado da juventude – comece a pensar e optar por coisas mais construtivas. Lotar a palestra/show do Gabriel Pensador é legal, mas não são apenas os “globais” que têm cultura para oferecer. O que eu quero dizer é que vale à pena trocar de ambiente, nem que seja pra descobrir que você não foi feito para o saber.

Ronalson.

SPAGHETTI WORS!!!

Eles também contam” é o nome de um de meus livros favoritos. Só uma edição se fez deste, no ano 1998. Tive a fortuna de conhecê-lo graças a um de seus autores, quem também é um de meus melhores amigos. O livro foi realizado por alunos de diversas escolas de Buenos Aires. A cada aluno se lhe pediu que escrevesse um pequeno conto, anedota, poema ou o que fora. O resultado é uma obra repleta de humor, drama, terror e, especialmente, loucura. O só fato de pensar que aqueles meninos são agora adultos que caminham pelas ruas me enche de terror. Hoje vou deixar um pequeno exemplo: um de meus favoritos. Qualquer similitude com Star Wars é pura coincidência:

Conto: Spaguetti Wors

Autores: Martin e Ignacio (8 anos). Hoje em dia têm 18 anos.

   Faz um mês no ano 152.594 explodiu a Terra, então Brian que estava congelado na heladera e eu, Alf, que o descongelei, subimo-nos a uma nave. Viajamos pelo espaço, aterrizamos num planeta. Tinha um cartaz que dizia: “Spaguetti planet”, talher de spaguetti.

   Estavam no planeta e notaram algo raro. Alf foi ao centro da Panela, o edifício central do planeta. Lutou contra todos e ganhou. Brian morreu e Alf se vingou, brigou com “Almôndega Vader”. Brigaram com fideos, venceu Alf e se o comeu.

FIN

Martin e Ignacio: estejam onde estejam… são uns gênios!

Pancho.

¡Oh, Dios… por favor devuélvenos a Owen Meany!

Ontem terminei de ler “A prayer for Owen Meany”, de John Irving. “Merda!” pensei, depois de finalizá-lo. E não porque fosse um mau livro senão, pelo contrário, porque era excelente… formoso. Isso é algo que começa a assustar-me, porque tenho o pressentimento de que lentamente me estou convertendo num fanático religioso de John Irving. Comecei como quase todo mundo, lendo “The world according to Garp” (meu favorito). Aquela novela se ganhou um posto indiscutível em minha lista imaginária de livros que mais me agradaram. Seguí com “Widow for one year” e, apesar de não me parecer um livro superior, é indubitavelmente muito bom. Depois seguiu “Until I find you”, também excelente. Depois “The sider House Rules”, formoso. Seguiu “The Hotel Newhampshire” (já escrevi neste blog qual é minha opinião a respeito dele). Com “A prayer for Owen Meany”, albergava a esperança de finalmente poder encontrar um livro de John Irving que não me agradasse, mas lamentavelmente não foi assim. É mais, creio que não me estou llendo pela tangente se qualifico a este livro de perfeito (nah, mentira, perdão Borges!).

Em fim, não sei, se querem ler um livro formoso que parece ter algo interessante que dizer a respeito de absolutamente tudo e mais, leiam “A prayer for Owen Meany”, divirtam-se e deixem de dar-lhe tanto dinheiro a Dan Brown.

Quanto a mim, seguirei lendo livros de John Irving até encontrar aquele que não me agrade. Algum dia o conseguirei!

Pancho. 

Just keep passing the open windows.

Não há muito que dizer, só que ontem terminei de ler “O Hotel New Hampshire”, de John Irving (autor do grandioso livro “O mundo segundo Garp”), o qual realmente me impressionou. Se querem ler um bom livro, desses que se mantêm excelentes desde a primeira página até a última (e isso que tem mais de 450), comprem-no porque não vai defraudá-los .

Simplesmente há que seguir passando de longo as janelas abertas, não importa se o corredor é demasiado longo ou nós demasiado pequenos, há que caminhar até o final.

(Obrigado Traductor Universia!)

 

Pancho. 

Pessoa andando pela casa

Abrir a geladeira. Essa pode ser a coisa mais divertida a se fazer num sábado. Dessa vez tem biscoitos de chocolate. Chocolate. Vou comer, talvez surja alguma espécie de inspiração metafísica de Fernando Pessoa*.
Falando nisso, li um dia desses uma declaração do João Cabral de Melo Neto em que ele dizia que “o mal que Fernando Pessoa fez a literatura é imenso. Aquela coisa derramada, caudalosa, criou uma multidão de poetrastos que acreditam na inspiração metafísica”. Bem, eu não acredito realmente na inspiração metafísica, mas gosto do Pessoa mesmo assim. João Cabral também não é ruim. Para não criar um paradoxo tão grande entre um gosto e outro, vamos ler Alberto Caeiro, que é o heterônimo antiespiritualista de Fernando.
A oitava parte do extenso poema “O Guardador de Rebanhos” é bem divertida. É a história de um sonho no qual Jesus torna outra vez menino e desce a terra. “Tinha fugido do céu/ Era nosso demais para fingir/ De segunda pessoa da trindade”, explica o eu – lírico. A parte dez também é legal, um diálogo interessante sobre o vento.
Mas chega, esse deve ser o centésimo poema do Fenandinho que eu leio hoje. E uma vez meu professor ensinou que poesia é uma por dia, para refletir e guardar no coração. Vou andar pela casa até perceber que estou girando ao redor do sofá por uns cinco minutos. Estou andando, hey hey! Mr. Tambourine, play a song for me… Curvo para a cozinha e a geladeira continua lá, mas não mais os biscoitos, só um pote onde outrora guardava um sorvete que foi substituído por feijão. Chega de cozinha.
Ligo o computador e a internet. No youtube deixo carregando um vídeo do Radiohead. O Thom Yorke não devia ser tão power-ranger-vermelho, por que só aparece ele em “No Surprises”? Ah, cansei de Radiohead…
Tento subir no vão da porta, mas é claro que não tenho mais a flexibilidade dos meus seis ou sete anos, debaixo dos laranjais, oh!
Ignoro a orientação do professorzinho e leio mais um poeminha do Pessoinha (ou Caeiro). Esse é pequenino, cabe aqui: “Aquela Senhora tem um piano/ Que é agradável mas não é o correr dos rios/ Nem o murmúrio que as árvores fazem…/ Para que é preciso piano?/ O melhor é ter ouvidos/ E amar a natureza”. Chega, até os gênios cansam, né…
Olho a sorte de hoje no orkut pela primeira vez em muito tempo: “você ganhará um bom biscoito da sorte”. Ta vendo, talvez Fernando Pessoa não esteja tão errado. Também acredito na Clarice Lispector quando ela diz que “a felicidade é uma fatalidade”. Por isso é bom que eu fique sentado na varanda. Sei lá, de uma hora para outra pode cair uma chuva de sapos. Ou de chocolate.
*Se não entendeu a piada, leia o poema “Tabacaria”