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13 de Junho!

Vamos comemorar gente! Hoje é 13 de Junho, Dia do Turista!turista

Pra quem não sabe. Ontem (12 de Junho) foi o Dia dos Namorados, pra quem curte (ou pode) deve ter sido legal. A cidade ficou abarrotada de eventos: show nos shoppings, festa no Bistro, no JTC, Beira Rio lotada – não vai faltar assunto para as revistas que cobrem os eventos cachoeirenses.

Mas chega de falar do passado. Vamos falar dessa figura, tão comum em terras brasileiras, o turista.

Bem, o que é o turista? A wikipédia nos informa o seguinte: “Turista é um visitante que desloca-se voluntariamente por período de tempo igual ou superior a vinte e quatro horas para local diferente da sua residência e do seu trabalho sem, este ter por motivação, a obtenção de lucro.”

Viram? Não é tão difícil ser um turista. Portanto, todos podem comemorar esse belíssimo dia – diferentemente de outras datas – basta fazer um passeio naquele bairro que você nunca foi na sua cidade e passar o dia lá.

Não deu pra animar ainda?! Ai vão algumas dicas:

1- Visite aquela tia que você num vê faz um tempão, passando o dia na casa dela você se torna um turista e pode comemorar alguma coisa essa semana. (nada animador)

2- Experimente o “turismo alcoólico”. Pegue um ônibus aleatório, pare em um bar desconhecido, beba muito e volte pra casa no outro dia.

3- “Turismo virtual”. Já que você preferiu ficar no computador no dia dos namorados, mais um dia num vai ser problema. Baixe o google earth e conheça os lugares mais bacanas que você sempre desejou, mas nunca vai ter dinheiro pra ir.

4- Leia um livro. Dizem que dá pra viajar com eles.

5- Vá à merda.

6- Use drogas.

7- Arrume uma namorada.

8- Espere até o dia 24 de Junho para comemorar o dia Mundial dos Discos Voadores.

Ronalson.

Releituras, poemas e falta de assunto.

Escrever poemas é algo bem complicado e por isso exigem muita habilidade de quem o escreve. Para burlar essa dificuldade uma boa saída é fazer releituras/paródias de poemas famosos. Com o intuito de disfarçar a falta de textos meus, vou liberar alguns poemas (releituras/paródias) que fiz.

O primeiro poema que pretendo estragar, é o No meio do caminho do Drummond, que é bem tosco fora do seu contexto histórico, o Modernismo.

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

Carlos Drummond de Andrade

Os meus poemas-releitura estão contidos na obra: Poesias Anti-Poéticas para não entender o Mundo, que provavelmente nunca chegará nas livrarias da sua cidade. O que se referente ao poema de Drummond é o Dando a volta pelo lado, escrito em setembro de 2007.

Dando a volta pelo lado.

Tive que parar de caminhar,
mas eu não estava cansado.
Parei, porque no meio do caminho
tinha uma pedra.

Uma pedra grande, gorda
e inconveniente.
Bem no meio do caminho
que eu vinha.

Por isso, dei um chute na bendita,
fiz o contorno
e continuei fazendo o que eu queria.
Mancando é claro.

Ronalson Vargas Mendes Filho


“O CONTORCER DAQUELE SER”

  acabei de matar um inseto no meu quarto.
  ele era diferente dos insetos normais, era até muito bonito. acabou voando e apareceu perto do meu abajur, o que me deu medo. sei lá, nesses momentos eu imagino as doenças que eles podem trazer. aí fui e peguei o spray. apertei. bang, bang! mas no mesmo momento em que realizei esse ato, senti pena do bicho. ele se revirava, revirada. não era agradável.
  durante aqueles segundos eu me senti mal, bem mal, em uma situação quase kafkaniana- uma mistura de asco e arrependimento. foi então que peguei um jornal na sala e resolvi não mais ver aquela cena. respirei fundo- mas tapando o nariz com a camisa porque não queria respirar o spray que ainda era presente no quarto- e pus fim ao inseto de maneira brutal. catapum!
  sei que não é algo que eu faça com freqüência, mas não pude ver o contorcer daquele ser. tive de agir, entretanto, se eu tivesse simplesmente expulsado ele com o jornal antes, tudo seria mais fácil- pra mim e pra ele. o que me faltou foi coragem. tive medo de haver um movimento abrupto, um erro de minha parte que o fizesse mexer de uma maneira não desejada. bem, agora não adianta mais pensar nisso, já era. catapum pra ele e pra esse texto.

Bobo Alegre (?)

O trecho a seguir foi retirado de um do diários de Paulo Henrique Afonso, dezessete anos. Ele teve um surto psicótico depois de passar 49 horas ininterruptas usando a internet. Atualmente, passa temporada em uma clínica psiquiátrica.

Segunda, 14 de Julho de 2006.

Hoje aconteceu uma coisa na academia que me me deixou meio                *. Não foi nada inusitado, já ocorreu antes, mas na hora fiquei com um pouco de vergonha. O instrutor estava me indicando que eu aumentasse o peso no exercicio de bíceps. Nada demais, só que enquanto ele falava eu não conseguia parar de rir. Não era uma gargalhada escandalosa, era um sorriso tímido, de bobo alegre. Então ele me disse, “Por que você tá rindo? olha o cara aí, ri à toa…”

O pior é que eu fiquei com aquilo na cabeça, tentando achar uma explicação. Foi ai que eu lembrei de uma outra coisa que me aconteceu quando eu tinha uns nove ou dez anos. Eu estva em casa, fazendo qualquer coisa que me fugiu da           **, até que o Mateuzinho toca a campainha. Os tios dele tinham vindo de Minas pra visitar a família no feriado, então ele decidiu me chamar para andar com a prima dele pela rua, já que ninguém tinha nada melhor em mente. E a prima dele era bonita, um pouquinho mais velha, no máximo dois anos só. Fui com eles.

Só que não tinha papo. A rua estava deserta, parecia que todo mundo tinha resolvido viajar no feriado. Foi aí que eu me deparei com aquele desenho escroto que o Miller fez naquele muro. Eu sempre achei o desenho bem bobo, mas o pessoal da rua gostava porque eram todos uns merdas, e se o Miller fez, então é obrade arte. O fato é que eu queria me mostrar para a tal garota, era o tipo de garota muito bonita quando se tem nove anos. Foi ai que eu soltei, ” Tá vendo esse desenho aqui? É uma buceta!”

Buceta, boceta, vagina, xoxota, tanto faz. Ela ficou muito constrangida quando eu disse isso e pior, o Mateus ficou todo empolgadinho. Até que a garota disfarçou bem o constrangimento, mas a cagada estava feita. Bem, eu não tive mais oportunidades de falar com ela depois disso, porque a familia do  Mateuzinho se mudou de Castelo pouco tempo depois.  Menos mal.

 Essa história toda foi só para dizer que eu nunca sei como reagir  a nada.  Eu não sabia o que fazer quando o instrutor Anderson disse aquilo, então ri. Podia ter dito, “odeio a academia, enfia o peso de 6 kg no cu!”, mas eu ri. Sei lá, é como em oldboy, “ria e rirão com você, chore e chorará sozinho”. E o Anderson riu mesmo comigo… 

 O negócio é que eu tenho fugido a minha vida inteira. Esse diário mesmo é uma fuga.

Eu me odeio.

* Palavra rasurada. Houve uma tentativa de escrever outra por cima, sem sucesso.

** Palavra quase impossível de se ler. Tudo indica que é algo relacionado à memória.

Blog Voluntário.

Blog Voluntário Quando você pensa em criar um blog e começa a agir, a primeira coisa que você encontra em sites como: WordPress, Blogger, Blog UOL .etc é a facilidade de criar um blog. Porém, o buraco é mais embaixo. Criar um blog exige tempo e dedicação parar aprender como funciona o complexo mecanismo da blogsfera, isso é, se a sua vontade for criar algo que ultrapasse um pouco a barreira dos diários on-line.

Eu estou no meio desse processo, criei o Suco de cor para aprender como funciona a Coisa e não está sendo nada fácil. Todo dia eu descubro uma nova ferramenta, um novo caminho parar fazer alguma coisa que antes era mais complicado e isso consome um certo tempo com pesquisas no Google, BlogFAQ e demais sites que ajudam bastante na hora da duvida.

Numa dessas pesquisas, para entender a Coisa, eu encontrei uma idéia muito legal e como a própria descrição do movimento propõem dei um Ctrl+c/Ctrl+v na iniciativa. O Movimento Blog Voluntário pega uma carona no Dia do Voluntariado Jovem e propõem que os blogueriros de platão publiquem post’s com conteúdo voltado à diminuição do analfabetismo digital nos dia 25, 26, 27 de abril.

Como o meu saber digital é limitado pretendo aderir ao movimento parar aprender como os outros voluntários e publicar link’s dos quais eu tirei algum conteúdo importante, algumas explicações de ferramentas (até o ponto que eu as conheço) e outras coisas que se encaixem no assunto.

Pessoa andando pela casa

Abrir a geladeira. Essa pode ser a coisa mais divertida a se fazer num sábado. Dessa vez tem biscoitos de chocolate. Chocolate. Vou comer, talvez surja alguma espécie de inspiração metafísica de Fernando Pessoa*.
Falando nisso, li um dia desses uma declaração do João Cabral de Melo Neto em que ele dizia que “o mal que Fernando Pessoa fez a literatura é imenso. Aquela coisa derramada, caudalosa, criou uma multidão de poetrastos que acreditam na inspiração metafísica”. Bem, eu não acredito realmente na inspiração metafísica, mas gosto do Pessoa mesmo assim. João Cabral também não é ruim. Para não criar um paradoxo tão grande entre um gosto e outro, vamos ler Alberto Caeiro, que é o heterônimo antiespiritualista de Fernando.
A oitava parte do extenso poema “O Guardador de Rebanhos” é bem divertida. É a história de um sonho no qual Jesus torna outra vez menino e desce a terra. “Tinha fugido do céu/ Era nosso demais para fingir/ De segunda pessoa da trindade”, explica o eu – lírico. A parte dez também é legal, um diálogo interessante sobre o vento.
Mas chega, esse deve ser o centésimo poema do Fenandinho que eu leio hoje. E uma vez meu professor ensinou que poesia é uma por dia, para refletir e guardar no coração. Vou andar pela casa até perceber que estou girando ao redor do sofá por uns cinco minutos. Estou andando, hey hey! Mr. Tambourine, play a song for me… Curvo para a cozinha e a geladeira continua lá, mas não mais os biscoitos, só um pote onde outrora guardava um sorvete que foi substituído por feijão. Chega de cozinha.
Ligo o computador e a internet. No youtube deixo carregando um vídeo do Radiohead. O Thom Yorke não devia ser tão power-ranger-vermelho, por que só aparece ele em “No Surprises”? Ah, cansei de Radiohead…
Tento subir no vão da porta, mas é claro que não tenho mais a flexibilidade dos meus seis ou sete anos, debaixo dos laranjais, oh!
Ignoro a orientação do professorzinho e leio mais um poeminha do Pessoinha (ou Caeiro). Esse é pequenino, cabe aqui: “Aquela Senhora tem um piano/ Que é agradável mas não é o correr dos rios/ Nem o murmúrio que as árvores fazem…/ Para que é preciso piano?/ O melhor é ter ouvidos/ E amar a natureza”. Chega, até os gênios cansam, né…
Olho a sorte de hoje no orkut pela primeira vez em muito tempo: “você ganhará um bom biscoito da sorte”. Ta vendo, talvez Fernando Pessoa não esteja tão errado. Também acredito na Clarice Lispector quando ela diz que “a felicidade é uma fatalidade”. Por isso é bom que eu fique sentado na varanda. Sei lá, de uma hora para outra pode cair uma chuva de sapos. Ou de chocolate.
*Se não entendeu a piada, leia o poema “Tabacaria”